Experimentem, degustem, divirtam-se!

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Conheçam livros de ficção e fantasia com tempero nacional: Agridoce, Cítrico e Paganus.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Gleide descobre sobre o pecado original. ;)

(Paganus, 2011) (...) Diogo se sentou à mesa fitando as brasas do fogareiro e Gleide percebeu que ele estava confuso. - Então, Diogo Couto, fala-me de teu Deus. – ela se sentou ao lado dele, que se surpreendeu com a pergunta. – Eu devo saber como fingir, não? – sorriu lembrando-o do conselho que ele lhe dera antes da aldeia ser invadida. - Ele... é bom, senhora. – ele começou a falar, sem saber como explicar Deus, enquanto Gleide o olhava interessada. - Só isso? – ela sorriu e ele fez uma careta – Por que aquele homem esquisito de túnica negra fez questão de jogar água em nossas cabeças? - Chama-se batismo... é o expurgo do pecado de Eva... - O que é um pecado? – ela perguntou com genuíno interesse e ele se ajeitou na cadeira. - É algo que desagrada a Deus. – simplificou. - Sei... – ela comentou. – E o que a tal Eva fez que desagradou tanto a teu Deus? – encarou-o interessada, queria ouvir os motivos que a crença de Diogo dava para que todos tivessem que se livrar, através da água, de algo que uma mulher fizera. Diogo respirou fundo e se ajeitou na cadeira mais uma vez, apoiando as mãos sobre a mesa. - Eva comeu do fruto proibido... e por causa disso, ela e Adão foram expulsos do paraíso... - ele não sabia como explicar. Via-se apenas reproduzindo as histórias que conhecia. Gleide levantou uma das sobrancelhas e sorriu. - Qual foi esse delicioso fruto? - ela o provocou e Diogo sentiu que seu rosto ficou vermelho. - Uma... maçã... - disse fitando as próprias mãos. De repente parecia que falava uma grande besteira. - Oh, não! - ela ironizou. - Então não comem maçãs? - disse apoiando o queixo na mão, na verdade estava adorando o constrangimento que via no rosto do rapaz ao expor detalhes de sua crença, a qual estavam obrigando todos a seguir. - Comemos, sim, senhora... - ele sorriu sem jeito. - A culpa não foi do fruto... - levantou os ombros. - Ah, sim! A culpa foi da mulher! - ela suspirou. - Então por que não batizam apenas as mulheres? - levantou os ombros. - Adão também comeu do fruto... - ele falou baixo e Gleide riu. - Pobres homens... - ela balançou a cabeça. - É só isso que devo saber?

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